“Une mère, ça fait ce que ça peut,
Ça ne peut pas tout faire, mais ça fait de son mieux”
~Lynda Lemay
Nesse dia das mães, para a minha filha:
Aos dezessete anos descobri que o nome da minha filha será Maitê. Não sei por quê, não lembro como descobri Maitê. Reparei depois que rima com os nomes das sobrinhas e talvez isso seja bom pra poética familiar. Não conheço nenhuma Maitê e só tinha notícias de uma, a atriz. Mas isso não influencia em nada, que eu odeio essas coisas de homenagem, e minha Maitê passará longe da Proença, de cabelos alourados, mesmo que o pai venha a ser um norueguês louro de olhos claros. O sangue é forte desse lado. Não digo que Maitê terá os cabelos pretos como os meus, mas serão certamente mais para escuros, e os olhos também, talvez meio acastanhados. Talvez não tenha os olhos puxados, mas digo isso porque nenhum dos meus sobrinhos tem, senão seria o mais provável.
Reparou, Maitê, estou até rimando, mas é sem querer... mãe é um bicho cafona de dar dó. Coitadinha... Ainda é um anjinho lá no céu e eu aqui a profetizar como será, que tipo de cabelo, formato de unha... É preciso que baste que tenha todos os dedinhos, e que tenha cabelos. Era só isso que eu deveria dizer. Ai Maitê... desculpa a mamãe. Ainda estou na idade de brincar de Barbie, e quando se brinca de Barbie se é muito mimada. Você será como for. O que importa é que você será um grande sorriso, desenhado na minha grande barriga planetária, e eu, sem a menor culpa, poderei finalmente dizer que sim, só me preocupo com o meu próprio umbigo.
Ai, te juro... tentarei não te sufocar de lirismo. Não te sufocar de amor... Assim a gente não ama bem, não é? Mas gritarei, sim, gritarei. Me chame louca, eu provavelmente estarei bem louca mesmo. Desculpa por todo o chocolate que eu não te deixar comer, por todas as balas proibidas, pelos penteados constrangedores, pelos beijinhos na frente da escola, pelo controle do boletim, pelos horários de dormir, pelos castigos, por não te deixar sempre dormir na casa das suas amigas, por não querer que suas amigas durmam sempre na nossa casa, pelos presentes que eu não te der, por frear a sua avó quando ela te mimar demais. Desculpa por todos os namorados que eu talvez não te deixe ter, pelos horários de chegar em casa, por não conseguir dormir enquanto você não chegar, por insistir em te levar e te buscar de carro e te deixar sempre na porta dos lugares, por te fazer ficar sem graça – e por dizer que bobagem, menina! quando você reclamar que tô te fazendo pagar mico… Desculpa por prestar atenção às suas amizades, por às vezes querer ser sua melhor amiga, por insistir que você é linda quando você se achar horrível, por arrumar seu armário e dizer que você é bagunceira, por não saber exatamente quando você me quer por perto e quando você me quer longe, e trocar as bolas na maior parte das vezes. Desculpa por te apontar o dedo na cara e dizer que você errou, mas será necessário – ah, Maitê! Será necessário... Desculpa por chegar a pensar que você não me ama tanto assim, eu sei que ama, estou só carente. Perdoa quando eu, sem mais nenhum argumento plausível, espernear que você vai entender tudo quando for mãe também – perdoa quando eu disser não, porque alguns sins, talvez eu jamais consiga me perdoar se os disser. Perdoa também por eu tantas vezes não entender direito o que você quer me ensinar, o que só você pode me ensinar. Tem paciência com a mamãe, Maitê… Desculpa pelas milhões de outras coisas que eu farei, das quais não faço a menor idéia hoje – por tudo o que eu farei, entre erros e acertos, na esperança de que um dia você me diga obrigada, mãe. Ou não esperando mesmo nada além de uma mulher cheia de luz, para a qual eu orgulhosamente darei a primeira faísca.
Meu amor, não posso te dizer muito agora… Te espero, quando estivermos as duas prontas. E obrigada, por me engravidar já de tanto amor. Obrigada.
Obrigada, Mãe
~Akemi Aoki
[1] Uma mãe, ela faz o que pode / não pode fazer tudo, mas dá o seu melhor.



Akemi,
ResponderExcluirEsse é, certamente, um dos textos mais comoventes que já li. Faço ideia de que você o escreveu com muito sentimento e sinceridade. Não há o que argumentar, é muito bonito. Gosto muito de propostas de texto em que escrevemos do presente para o futuro ou do passado para o presente (depende do referencial de quem está lendo.
Seu texto me lembrou um filme, "Garçonete", a história de Jenna, uma garçonete (nenhuma surpresa até aqui. Ela trabalha em um daqueles "diners" na beira de uma estrada. Jenna faz as tortas do cardápio e são sempre receitas surpreendentes e deliciosas, ela tenta juntar dinheiro para fugir do marido violento e abusivo. Acontece que acaba engravidando.As amigas dão a ela um diário de gravidez e há uma seção para a futura mãe escrever cartas para o bebê. É muito interessante ver como ela muda ao longo da história.
Ah, e estou louca para ver o documentário dos bebês, que você descreveu no último post. Deve ser muito interessante acompanhar o primeiro ano de vida de quatro bebês que têm tanto e tão pouco em comum ao mesmo tempo.
Mariana
Ai, deixa eu enxugar minhas lágrimas. ^_^ Sei que o parabéns é pras mães em primeiro lugar, mas não posso deixar de te parabenizar também.
ResponderExcluirBeijos
¬¬...mico...nao daria pra mandar um email em vez de postar publicamente no blog!?? (Sent by itravelling machine mobile)
ResponderExcluirdeixa de ser boba, maitê...
ResponderExcluire vê se me autoriza logo no facebook que eu tô ficando irritada já. e vc sabe que quando eu fico irritada... bom.
Xiii Akeminha, cuidado com os direitos autorais, viu?
ResponderExcluirMas vá lá, eu autorizo só desta vez que você faça suas as minhas palavras porque eu quero que a minha querida netinha Maitê seja bem igualzinha a você.
Quanto a mimá-la demais, acho que vai ser difícil ter controle sobre meus atos. Avós mimam muito mais os netos do que mimaram os filhos. A Maitê já é desejada demais. Vai ter muitos lacinhos, sapatinhos "combinandinho" com os vestidinhos, muitas bonequinhas, etc e tal, coisinhas de vovó coruja.
Espero imensamente que a Maitê transborde de açúcar e traga, dia a dia, um imenso turbilhão de felicidades e alegrias pra você.
Amo muito você, minha menininha.
beijão da vovó da Maitê