Para amar o mundo podemos começar amando aqueles que estão pertinho de nós... então... ame seus vizinhos ♥
domingo, 25 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Tudo é uma questão de ângulo - Keveen Gabet
A simplicidade da vida é meu guia, meu mestre e minha inspiração.
Muitos procuram mestres, gurus, xamãs e outros seres originais de quem extrair o saber, o conhecimento e as belas frases de sabedoria.
Eu pessoalmente não sou muito fã desse tipo de busca, mesmo que admita sua importância. Não vou nem à pesca de ensinamentos de sabedoria, nem ao mercado de citações. Para mim, os ensinamentos mais bonitos são aqueles que encontramos ao acaso, na encruzilhada de caminhos, num campo ou nos banheiros. Aqueles que são entregues e recebidos com toda humildade, sem nenhuma aspiração à sabedoria exótica.
Muitas vezes, esses ensinamentos caem sobre nós como uma chuva de verão repentina, cabendo a nós fazer as vezes de alquimistas e transcendê-los à nossa maneira.
Enquanto eu pedalava pelas estradas da Índia, longe dos ashrams e perto dos pescadores, tive a vontade súbita de construir uma cabana de bambu à beira de uma praia virgem. Armado com o meu facão, me meti a cortar os bambus. Nessa época, eu ainda não sabia que o bambu era muito mais sólido do que os filmes chineses me fizeram crer. Cada golpe do meu facão super cortante voltava para mim mesmo, arranhando minimamente o bambu. Mas eu continuava a teimar, concentrando minhas forças num golpe que poderia lançar uma bola de baseball através do maior estádio do mundo, em vão. O bambu não parecia querer ceder às minhas pulsões devastadoras e acentuadas por sons em mandarim.
Eu pessoalmente não sou muito fã desse tipo de busca, mesmo que admita sua importância. Não vou nem à pesca de ensinamentos de sabedoria, nem ao mercado de citações. Para mim, os ensinamentos mais bonitos são aqueles que encontramos ao acaso, na encruzilhada de caminhos, num campo ou nos banheiros. Aqueles que são entregues e recebidos com toda humildade, sem nenhuma aspiração à sabedoria exótica.
Muitas vezes, esses ensinamentos caem sobre nós como uma chuva de verão repentina, cabendo a nós fazer as vezes de alquimistas e transcendê-los à nossa maneira.
Enquanto eu pedalava pelas estradas da Índia, longe dos ashrams e perto dos pescadores, tive a vontade súbita de construir uma cabana de bambu à beira de uma praia virgem. Armado com o meu facão, me meti a cortar os bambus. Nessa época, eu ainda não sabia que o bambu era muito mais sólido do que os filmes chineses me fizeram crer. Cada golpe do meu facão super cortante voltava para mim mesmo, arranhando minimamente o bambu. Mas eu continuava a teimar, concentrando minhas forças num golpe que poderia lançar uma bola de baseball através do maior estádio do mundo, em vão. O bambu não parecia querer ceder às minhas pulsões devastadoras e acentuadas por sons em mandarim.
Foi então que um velhinho de rosto chupado, com uma barba enorme e grisalha me apareceu. Ele também tinha um facão na mão, a diferença é que a dele parecia ser sobrevivente da guerra de independência, de tanta ferrugem que havia no lugar do brilho original.
Esse homenzinho de músculos atrofiados cortava os bambus com um leve golpe de facão com uma facilidade desconcertante. Meu orgulho me fazia querer fugir de vergonha, mas minha curiosidade tomou conta de mim e eu me aproximei. Esse velho homem, o completo oposto da imagem clássica de um sábio, me explicou que eu deveria inclinar o facão um pouquinho mais, a fim de penetrar nas fibras do bambu. Alguns graus de diferença no meu ângulo de ataque fizeram realmente toda a diferença. Os bambus caíram no mesmo instante que a minha ignorância.
Esse velho indiano, cujo nome eu nunca cheguei a saber, me fez compreender uma das mais belas lições da vida: mudando ligeiramente o ângulo ou a perspectiva ao nos aproximarmos de um problema, a vida deixa de ser um obstáculo invencível em que tropeçamos incansavelmente.
Esse homenzinho de músculos atrofiados cortava os bambus com um leve golpe de facão com uma facilidade desconcertante. Meu orgulho me fazia querer fugir de vergonha, mas minha curiosidade tomou conta de mim e eu me aproximei. Esse velho homem, o completo oposto da imagem clássica de um sábio, me explicou que eu deveria inclinar o facão um pouquinho mais, a fim de penetrar nas fibras do bambu. Alguns graus de diferença no meu ângulo de ataque fizeram realmente toda a diferença. Os bambus caíram no mesmo instante que a minha ignorância.
Esse velho indiano, cujo nome eu nunca cheguei a saber, me fez compreender uma das mais belas lições da vida: mudando ligeiramente o ângulo ou a perspectiva ao nos aproximarmos de um problema, a vida deixa de ser um obstáculo invencível em que tropeçamos incansavelmente.
Depois desse encontro anódino, eu tento sistematicamente revisar meu julgamento e apreciar a vida sob um outro ângulo, sobretudo quanto tenho a impressão de dar de cara com um muro. Desde então eu aprendi que quando um muro aparece no meu caminho, cabe a mim desenhar nele uma porta.
Keveen Gabet Copyleft 2010
Keveen Gabet Copyleft 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
"Os animais salvam o planeta" série do Animal Planet
Sempre aprendemos com eles.
De acordo com as novas teorias, mais do que as indústrias e os carros, são os peidos das vacas que mais jogam gases poluentes na atmosfera. Então...
quinta-feira, 15 de abril de 2010
"Terra deu, terra come"
Documentário de Rodrigo Siqueira, em exibição no 15º Festival Internacional de Documentários, É tudo verdade. Lindo demais, pirei...
Sinopse: O documentário, dirigido por Rodrigo Siqueira, mostra os rituais fúnebres de tradição africana em Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais. Pedro de Alexina, 81 anos, comanda como mestre de cerimonias o funeral de João Batista, morto aos 120 anos. Documentário, memória e ficção se misturam para tecer uma história que retrata um canto metafísico do sertão mineiro.
trailer - Terra Deu, Terra Come from rodrigo siqueira on Vimeo.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Que os anjos voltem para o paraíso - Keveen Gabet
Uma tradução minha do texto original do Keveen, disponíveis em francês e inglês, em korakor.fr. Aproveitem!
Que os anjos voltem para o paraíso!
Que os anjos voltem para o paraíso!
Que eles parem de pavonear por aí com suas belas asas celestes, ostentadas sob os nossos narizes, pelo simples prazer de serem olhados, adulados, rogados e venerados...
Se os anjos vestidinhos de branco são realmente celestes, então que eles parem de vir nos desafiar com toda essa insolência no nosso próprio reino terrestre. Que eles fiquem à direita de Deus e que escutem nossos lamentos sentindo pena de nós.
Os anjos nos manipularam. Aqui estamos nós, pobres terrestres, tentando em vão reconhecê-los e revelá-los entre o monte de gente que nos rodeia.
Um ser humano, um homem dos mais banais, vem ao nosso socorro anonimamente ou sem nada esperar em retorno, e olhe só para nós clamando – por Deus! – haver visto um anjo.
Por que esse pessimismo quanto ao homem? Por que essa categorização da natureza humana?
Por que o homem, em sua mais linda humildade, não poderia ser ele também humano, doador, generoso e angelical?
É com pressa que atribuímos características divinas às banalidades do cotidiano. “É um milagre!” gritamos, ao ver um homem ajudar um desconhecido, quando se trata apenas de um simples homem estendendo a mão ao próximo.
A natureza humana passou para a divindade. A ajuda mútua, a caridade, a compaixão e o amor incondicional viraram qualidades santas e valores de ressonâncias religiosas.
Eu me entristeço. Eu me levanto e me recuso. Contesto essas verdades apocalípticas. Combato a queda do Homem. Ataco abertamente esse fatalismo e mostro o dedo do meio a esse lento suicídio passivo.
Eu sorvi mais quilômetros que qualquer profeta, meus pés acariciaram as terras de vários continentes, meus olhos viram homens de todas as cores, minha pele queimou sob o sol africano e gelou no inverno canadense.
Eu me sentei em suas casas, bebi em seus copos, comi em seus pratos, murmurei suas preces, escutei seus lamentos e suas alegrias, suas paixões e seus segredos, suas vontades e seus desejos. Vi suas lágrimas, seus risos e seus sofrimentos. Eu vi o Homem em todo o seu esplendor, em toda sua feiúra. Abracei religiosos, alcoólatras, anjos e demônios... Eu peguei o Homem nos braços e o escutei. Foi ele que me ensinou a ouvir o mundo.
Eu bebi em seu nome, em nome da vida e em nome do Amor.
Eu orei pela vida, pela paz e pela saúde.
Eu chorei de amor, de dor e de prazer.
Eu sou eu, ele, ela, eles e nós.
Eu sou nós todos e vocês são eu.
Eu sou feito de vocês assim como vocês são feitos de mim.
O meu sorriso os mudou, o de vocês me inspirou.
A minha ajuda lhes deu asas, a de vocês me fez voar mais alto.
Eu fico doidão com o ser humano.
Das cidades ou dos campos...
Num terno ou num bar...
Com rugas ou com piercings...
Que paremos de não acreditar em nós. Que paremos de culpar ou alugar os céus. Nós somos agentes conscientes da nossa mudança.
Que os anjos voltem ao paraíso!
Que parem então de nos roubar nossa humanidade...
Sejamos perfeitamente o que nós somos... e orgulhosos de sê-lo.
Keveen Gabet Copyleft 2009
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Não quero a metafísica de nada
Estou procurando alguma coisa. Não quero ser profunda, não, não. Pelo amor de Deus, não quero ser Clarice nem Pessoa. Não quero a metafísica de nada. Quero só a parte mais superficial e queimada da minha pele. Aquela que desbota, que avermelha, que descasca. Mas que fica boa. O que eu quero é só a primeira pele, ou a pele última, como queiram olhar. Onde tenho as pintas, que são minhas. Aonde chega primeiro o sol e a chuva e a tua unha. Não quero a minha profundeza, que só ingere água filtrada. A profundidade só afoga. E é tão chato morrer... Se eu soubesse o que sou por debaixo dessa camadazinha fina, ai que susto! Seria saber o segredo do mundo. Era ver a matéria-prima e... que saco. Ver o que nunca muda.
Assinar:
Postagens (Atom)