quarta-feira, 7 de abril de 2010

Não quero a metafísica de nada


Estou procurando alguma coisa. Não quero ser profunda, não, não. Pelo amor de Deus, não quero ser Clarice nem Pessoa. Não quero a metafísica de nada. Quero só a parte mais superficial e queimada da minha pele. Aquela que desbota, que avermelha, que descasca. Mas que fica boa. O que eu quero é só a primeira pele, ou a pele última, como queiram olhar. Onde tenho as pintas, que são minhas. Aonde chega primeiro o sol e a chuva e a tua unha. Não quero a minha profundeza, que só ingere água filtrada. A profundidade só afoga. E é tão chato morrer... Se eu soubesse o que sou por debaixo dessa camadazinha fina, ai que susto! Seria saber o segredo do mundo. Era ver a matéria-prima e... que saco. Ver o que nunca muda.

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