Ainda sobre o angu de caroço da representação, é contraproducente apontar formas melhores ou piores de narrar. É comum que gostemos de assuntos sérios tratados com sisudez, assuntos leves escritos à pluma, assuntos áridos talhados com a secura de Guimarães e assim por diante. A forma coladinha ao conteúdo é a boa fórmula da boa literatura. Por isso também analisar literatura descolando pai e mãe não dá muito certo, o filho fica órfão e não há psicólogo que dê jeito no menino.
Mas uma pergunta que me faço com toda humildade é – é mesmo só assim que funciona bem? É só quando a linguagem fala não só o conteúdo, mas pelo conteúdo? Não é uma pergunta retórica, é uma dúvida sincera, uma dúvida quase burra, maybe.
Fico cismando que o ponto talvez não seja a gravidade, mas a gravidez. Não que a forma deva estar sempre “adequada” ao conteúdo (o significante é sempre arbitrário em relação ao significado?), mais importante que isso é que ela esteja grávida de um pensamento para além, que este filho possa abrir um espaço no mundo e correr.
Não sei se me fiz entender, não sei se me entendi. Hum.
hum!
ResponderExcluir"Não sei se me fiz entender, não sei se me entendi. Hum." hahaha ADOREI
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