sábado, 26 de março de 2011

Nem japonesa, nem brasileira, nem paraguaia

 

    Esse post aqui é só pra dar uma arrematada no último. Está bastante chulé porque eu já me cansei desses assuntos nipônicos. Tá na hora de trocar a fita.


     Não sei se por influência familiar ou o quê, mas eu adoro estrangeiros – assim como o prostituto do pub, apesar de os nossos interesses neles serem diferentes. Por isso também eu adoro a Internet, ela me permite conhecer pessoas de longe, que talvez eu não conhecesse de outra forma. Minha primeira experiência foi aos doze anos (talvez onze?), quando, pelos mares pouco dantes navegados da web, esbarrei numa menina portuguesa, num fórum de fãs alucinados por Harry Potter. Ela se tornou uma amiga muito querida e foi uma imensa alegria quando nos conhecemos pessoalmente, alguns anos depois. Depois dela, vieram os paulistas, os franceses… e eu fui me danando toda, porque é uma dorzinha chata essa de estar distante. Morando sozinha, terei um sofá reservado à saudável prática do couchsurfing.

     Há quase dois anos, descobri o Korakor, uma organização (agora oficialmente oficial! yey!) com projetos filantrópicos, cuja filosofia é basicamente a interconexão e o amor entre… tudo.

O Korakor foi pensado inicialmente por Keveen Gabet, levado adiante com a ajuda de amigos queridos, em especial Gina Solorzano, Georges Pagani, Lilo Rivera, Cecilie Caspersen…, e apoiada por pessoas korakorescas de vários cantinhos do mundo. Com tanta internacionalidade, não me espanta que eu tenha querido me meter no meio.

 

     Meu pai diz que não deveria existir essa de “países”. O mundo deveria ser um único e imenso país. Pra ele, esse negócio de “sangue puro” é a maior balela. Porque japonês tem muito disso, né. Migra, mas casa com outro japonês pra fazer mais japonesezinhos “puros”, por mais que cresçam sem falar nada da língua ou não vivam de fato em imersão nipônica. Meu pai defende a mistura. Daí que eu e minhas irmãs somos mestiças. Dizemos que somos nisseis pra facilitar o entendimento daqueles que perguntam, porque aparentemente é muito difícil sacar a diferença entre nissei e mestiço. Para que fique claro, de acordo com o Houaiss: nissei – que ou aquele que é filho de pais japoneses nascido no continente americano; mestiçodiz-se de ou pessoa que provém do cruzamento de pais de raças diferentes. Como nossas mães são brasileiras, do olhão grandão, somos mestiças.

     Eu, na verdade, não sei muito bem o que pensar sobre a língua japonesa ter palavras específicas para cada tipo de… conterrâneo desterrado. É assim. Nikkei é o nome genérico, para todos os descendentes de japoneses nascidos fora do Japão ou com situação regular no exterior. Em seguida, temos nisseis (2ª geração – filhos), sanseis (3ª geração – netos), yonseis (4ª geração – bisnetos), gosseis (5ª geração – trisanetos) etc etc etc e eu nem vou fazer a piadinha do nonsei. A “impureza” está marcada na própria língua. É o rótulo depreciativo e egoísta. Ao mesmo tempo em que te afasta (já que na medida em que você é nissei/sansei/shichissei, você não é japonês), te quer de volta (você não é japonês, mas você também não é desse lugar aí onde nasceu). Talvez você seja uma classe mais baixa de japonês, um decassegui mal tratado que só serve mesmo para preparar bentô.  

      Ora, chega disso, né?

     Post passado eu perguntava se sou um produto paraguaio, fake e mal acabado. É claro que não. Eu sou bastante original, de acabamento perfeito (minha mãe é muito caprichosa). Qual é a marca do meu tabuleiro, onde foi feito? Não sei mesmo, não ligo pra marca, nunca comprei na Osklen. O que importa é que vá ao forno, não derreta e comporte bem a minha massaroca.

     Daí eu vivi feliz para sempre e vamos virar a página.

     Até a próxima, sobre a burrice.

6 comentários:

  1. Hahahaha vc me diverte... gosto do seu jeito de escrever. Depois quero saber o que ou quem é o Prostituto do Pub hahaha

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  2. o da burrice promete... to preciasando ler... parabéns pelo texto ;)

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  3. Fiquei fascinado pelo trabalho tão bonito do Korakor! Tem um dito espírita assim: "o Bem é tímido"
    Tá na hora do Bem ser mais descarado e se espalhar por aí como e do jeito que puder e bem entender. =)

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  4. that's my name on it!! yaaaay!!! love you =)

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