Saio à rua no final da tarde, o dia menos quente, as pessoas mais sassariqueiras, é hora de pisar logo em casa e aprontar o jantar. Não sei a quantas anda o céu, se escarlate ou se enegrecendo logo. Os olhos são necessários ao chão, tantos sapatos já foram deitados fora por conta dessas distrações de céu, sem prestar atenção meto um pisão nos cocôs dos cachorros, que estas ruas são latrinas caninas e ninguém há de dizer que não. Esquecem-se os saquinhos plásticos em casa ou teve o cachorro uma diarreia, impossível de recolher, deixemos aí mesmo. São as mimações daqueles que muito querem ter mas de muito pouco sabem cuidar. Cães urbanos necessitam de certas atenções porque asfalto não é solo que se adube, e nem os meus sapatos, tomem nota. Saem os miúdos e os adolescentes do colégio, passam os garotos de treze a dezessete anos malandreando alto, vai demorar ainda para que vejam que ser leks não faz deles homens, e muito ao contrário fazem o caminho, mas deixem-nos estar que logo cai a ficha. Vão as garotas de corpos feitos à metade e alguns anos ainda se passarão (ou talvez mesmo jamais isso aconteça) até que descubram que a difamação da feiúra das outras não lhes tira as espinhas à cara nem a caspa ao cabelo. Os picolinos, alguns agarrados à empregada desejando que fosse a mãe a buscá-lo, outros sem se dar por conta de quem os busca, tantos sem ter quem os buscar, voltam sozinhos para casa aos nove anos e assim é que é.
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