Toda e qualquer possível imagem de intelectualoide que eu tenha deixado até aqui irá, doravante, descarga abaixo. Se você não quer se decepcionar, não prossiga. Espere o próximo post, em que eu tentarei parecer mais esperta de novo.
Em alguma hora da vida precisamos assumir nossas falhas, nossos curtos-circuitos, nossas burrices – como chamam popularmente. Talvez não precisemos todos expô-las necessariamente em público, mas já que eu tenho um blog e não tenho papas na língua… bem. Além disso, não podemos ser tão solares e pensar que só vão coisas boas para os nossos tabuleiros. Essa massaroca que chamamos “eu” também acolhe tremendas burrices, alienações, ignorâncias, arrependimentos que (in)felizmente não matam e tonterías que tais.
Lembro que quando eu era pequena, endiabrava o meu pai depois que ele chegava do trabalho e queria sentar sossegado pra ver Jornal Nacional. Eu tinha a minha TV e podia muito bem ver o Cartoon Network no meu quarto, mas na época era extremamente necessário para o meu crescimento saudável essa relação judoca pai & filha, em que eu ficava tentando roubar o controle remoto dele e mudar o canal. Tentei ser boazinha algumas vezes (poucas) e simplesmente sentar lá comportada pra assistir ao noticiário, mas era tão aborrecido que eu logo recomeçava a batalha pela hegemonia televisiva.
Só que a gente cresce, eventualmente. E faz parte da vida adulta ver, gostar e comentar as notícias, as tragédias, os Bolsonaros da galáxia etc e tal. É feio trocar o Bonner, a Fátima e a Maria Beltrão pelo TVZ, Esquadrão da Moda e Truques de Oliver. Mas… pode acontecer de esbarrarmos acidentalmente no controle… é que me escapuliu.
Nesse mundo algumas coisas nos escapolem, assim, numa buzina de bicicleta. Ops, fui desviar, pisquei, perdi, playba!
Muito me escapa, sem dó nem piedade. Vejam só, escapava-me há pouco que a capital da Austrália é Camberra. Ó dó. Também não sei em que momento desafortunado eu papei mosca e perdi a pérola youtubiana do carioca revoltado com a enchente – fui compartilhar no Facebook toda feliz e me avisam que se trata de um clássico há muito tempo. Que embaraço. Não me inteirei do caso Bolsonaro logo de cara e não estou mais sabendo a quantas anda a panela de pressão lá no Mundo Árabe, a não ser que as pipocas estão estourando.
Eu não me salvo da desculpa ready-to-go para a alienação: é tanta coisa pra fazer, tanto pra ver, ler, reclamar, xingar e mandar tudo para o diabo que o carregue que fica difícil não ofegar no final do dia. Quero só brigar pela supremacia do controle com meu pai – e luto a favor de desligar. Mas ele insiste em ver aquele diabo daquele Conta Corrente…
Repense bem aí aquela sua ideia de me apresentar aos seus amigos, tomar chopp e tal. Aquele livro mega cult de 1340? Eu não li. Aquele filme alemão do início da década? Eu não vi. Aquela bebida peruana? Eu não bebi. Aquela ex BBB que tá dando praquele empresário ali? Ãhn, cuma? Campeonato Brasileiro? Últimas fraudes do Senado? Er… Eu abro seis saquinhos de sal e fico brincando de desenhar na mesa, ketchup também é bacana. Morro de admiração e inveja de pessoas que conseguem se adaptar a qualquer roda de conversa, que têm comentários e opiniões sobre tudo, cospem citações e nomes e referências das mais variadas. Já leram de tudo, já viram de tudo, conhecem de tudo. Aqueles indivíduos que são antenados, tá ligado? Tenho um professor que é assim, e sem o menor topete – ele é capaz de juntar Ópera e Milan na mesma frase com uma naturalidade de tocar o coração. Uma outra professora estuda Caras e Tititi antes de ir ao salão de beleza. Tenho amigas que têm amigos dos 06 aos 60 e falam desenvoltamente com todos – de maquiagem Dior à Simone de Beauvoir, vem quente que eu tô fervendo.
I wish.
Primeiro que minhas cordas vocais são preguiçosas e eu não gosto muito de falar. Segundo que se for depender das informações gerais que eu acumulei ao longo da vida, ihhhh. Minha memória é ruim. Por mais que eu já tenha amado Chico Buarque em algum momento da minha vida, já devo ter esquecido 80% das letras, por exemplo. Meu pai lembra de coisas que aprendeu na escola aos oito anos e minha mãe, bem, eu já mencionei aqui que a memória dela é de elefante. Já eu – eu mal me lembro como se monta uma conta de divisão no papel (não, peraí também, essa parte é uma hipérbole).
Citei Camberra ali no terceiro parágrafo – eu sempre fui péssima pra capitais. Foi um sufoco na 4ª série ficar com aquela listinha de estados e capitais na mão e só conseguir memorizar Rio de Janeiro – capital do Rio de Janeiro, e São Paulo – capital de São Paulo, enquanto poderia estar vendo Power Rangers no programa da Angélica. Eu posso entrar na Wikipedia agora e descobrir todas as capitais de todos os países do mundo, além das cidades mais populosas, mais poluídas, mais ecológicas, aquelas com maior risco de sofrerem abalos sísmicos e também aquelas com altas chances de virarem a próxima Pompeia debaixo de lava vulcânica – não importa. Posso fazer isso agora e amanhã já terei esquecido a maior parte do que li. Também não adianta me cantar os cálculos de probabilidade ou me explicar por que os vidros do carro ficam embaçados com o ar condicionado. Minha esponja cerebral não retém esse tipo de informação, não apreende, não aprende, não porra nenhuma.
Imbeciloide? Alienada desvairada? Não sei. Desmemoriada e distraída, com certeza. Seja como for, eu tenho outras qualidades, estou completamente certa disso – e que exploda um bueiro de Copacabana sob os meus pés se for mentira!
Continua…

hehehe boa, japa! vc sabe q curto seus textos... me junto a vc... sei nada não. o trabalho não deixa não, não posso não, não quero não, não aguento não...
ResponderExcluirNão ter lido aquele livro, não ter assistido aquele filme ou visto aquele vídeo do Youtube na época em que estava na moda, não te faz burra. Também não te faz mais inteligente saber a tabuada de cor ou os elementos da tabela periódica. Não te faz burra não lembrar as capitais, ou mesmo não sabê-las, assim como não te faz mais inteligente recitar as poesias de Pessoa, ou saber cantar de cor as músicas do Chico. É importante estar a par das notícias, é verdade, ainda mais neste mundo louco em que vivemos, mas isso não é o fundamental. Fundamental é saber o que fazer com o que você sabe, saber fazê-lo bem. Também é fundamental ser uma boa pessoa, senão com os outros pelo menos contigo. Mas mais fundamental do que todas as coisas fundamentais que falei é saber organizar bem as ideias. E isso você faz muito bem!
ResponderExcluirE é preciso ser inteligente pra ser bom; que é diferente de ser erudito, ou culto, ou sabido, né?
Adiantou meu "to be continued", Pacha... :)
ResponderExcluirJeez... shame on me...
ResponderExcluirhttp://felipeguimaraes.cc/blog/wp-content/uploads/2010/11/Shame.jpg
Talvez role um copy&past, com créditos...
ResponderExcluirGostei muito do post, é uma critica muito oportuna em uma epoca em que nao basta se orgulhar por pensar racionalmente. Hoje, alem de sermos racionais, temos que ser inteligentes e se possivel merecedores de um Nobel! Tambem gostei bastante do comentario do Pacha Urbano e vou somá-lo ao post nesses comentarios. Esse endeusamento da inteligencia vem sempre acompanhado por uma pessoa "naotaointeligentequantosediz" e que geralmente nao sabe diferenciar inteligencia de mera erudição e muito menos sabe que existem VARIOS tipos de inteligencia, como a inteligencia emocional, por exemplo, que é tao importante quanto a inteligencia racional. A algum tempo atras li um livro chamado "O erro de Descartes". Neste livro, o autor, um neurocirurgiao, chama atenção para a burrice que a humanidade cometeu principalmente apos o sec XVIII ao privilegiar a razao em detrimento da emoçao, causando hj uma serie de disturbios e desequilibrios. Erudição, inteligencia, existem coisas mais importantes que conhecer todas as capitais ou o LOG de um zilhao, e essas coisas sao aquelas que o pacha comentou, e nao menos importante, as brincandeiras ingenuas e originais que a kemi citou no post. Sabio nao é apenas aquele que tem consciencia da propria ignorancia,é aquele que sabe usar e aplicar o pouco que sabe, e para isso, nao precisa ser inteligente, erudito ou ganhar o nobel, a sabedoria essa sim deveria ser privilegiada e ela bota a inteligencia que está tao banalizada quanto superestimada, no bolso.
ResponderExcluirAdoro estar rodeada por pessoas sábias, sabidas e bem articuladas :)
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