A simplicidade da vida é meu guia, meu mestre e minha inspiração.
Muitos procuram mestres, gurus, xamãs e outros seres originais de quem extrair o saber, o conhecimento e as belas frases de sabedoria.
Eu pessoalmente não sou muito fã desse tipo de busca, mesmo que admita sua importância. Não vou nem à pesca de ensinamentos de sabedoria, nem ao mercado de citações. Para mim, os ensinamentos mais bonitos são aqueles que encontramos ao acaso, na encruzilhada de caminhos, num campo ou nos banheiros. Aqueles que são entregues e recebidos com toda humildade, sem nenhuma aspiração à sabedoria exótica.
Muitas vezes, esses ensinamentos caem sobre nós como uma chuva de verão repentina, cabendo a nós fazer as vezes de alquimistas e transcendê-los à nossa maneira.
Enquanto eu pedalava pelas estradas da Índia, longe dos ashrams e perto dos pescadores, tive a vontade súbita de construir uma cabana de bambu à beira de uma praia virgem. Armado com o meu facão, me meti a cortar os bambus. Nessa época, eu ainda não sabia que o bambu era muito mais sólido do que os filmes chineses me fizeram crer. Cada golpe do meu facão super cortante voltava para mim mesmo, arranhando minimamente o bambu. Mas eu continuava a teimar, concentrando minhas forças num golpe que poderia lançar uma bola de baseball através do maior estádio do mundo, em vão. O bambu não parecia querer ceder às minhas pulsões devastadoras e acentuadas por sons em mandarim.
Eu pessoalmente não sou muito fã desse tipo de busca, mesmo que admita sua importância. Não vou nem à pesca de ensinamentos de sabedoria, nem ao mercado de citações. Para mim, os ensinamentos mais bonitos são aqueles que encontramos ao acaso, na encruzilhada de caminhos, num campo ou nos banheiros. Aqueles que são entregues e recebidos com toda humildade, sem nenhuma aspiração à sabedoria exótica.
Muitas vezes, esses ensinamentos caem sobre nós como uma chuva de verão repentina, cabendo a nós fazer as vezes de alquimistas e transcendê-los à nossa maneira.
Enquanto eu pedalava pelas estradas da Índia, longe dos ashrams e perto dos pescadores, tive a vontade súbita de construir uma cabana de bambu à beira de uma praia virgem. Armado com o meu facão, me meti a cortar os bambus. Nessa época, eu ainda não sabia que o bambu era muito mais sólido do que os filmes chineses me fizeram crer. Cada golpe do meu facão super cortante voltava para mim mesmo, arranhando minimamente o bambu. Mas eu continuava a teimar, concentrando minhas forças num golpe que poderia lançar uma bola de baseball através do maior estádio do mundo, em vão. O bambu não parecia querer ceder às minhas pulsões devastadoras e acentuadas por sons em mandarim.
Foi então que um velhinho de rosto chupado, com uma barba enorme e grisalha me apareceu. Ele também tinha um facão na mão, a diferença é que a dele parecia ser sobrevivente da guerra de independência, de tanta ferrugem que havia no lugar do brilho original.
Esse homenzinho de músculos atrofiados cortava os bambus com um leve golpe de facão com uma facilidade desconcertante. Meu orgulho me fazia querer fugir de vergonha, mas minha curiosidade tomou conta de mim e eu me aproximei. Esse velho homem, o completo oposto da imagem clássica de um sábio, me explicou que eu deveria inclinar o facão um pouquinho mais, a fim de penetrar nas fibras do bambu. Alguns graus de diferença no meu ângulo de ataque fizeram realmente toda a diferença. Os bambus caíram no mesmo instante que a minha ignorância.
Esse velho indiano, cujo nome eu nunca cheguei a saber, me fez compreender uma das mais belas lições da vida: mudando ligeiramente o ângulo ou a perspectiva ao nos aproximarmos de um problema, a vida deixa de ser um obstáculo invencível em que tropeçamos incansavelmente.
Esse homenzinho de músculos atrofiados cortava os bambus com um leve golpe de facão com uma facilidade desconcertante. Meu orgulho me fazia querer fugir de vergonha, mas minha curiosidade tomou conta de mim e eu me aproximei. Esse velho homem, o completo oposto da imagem clássica de um sábio, me explicou que eu deveria inclinar o facão um pouquinho mais, a fim de penetrar nas fibras do bambu. Alguns graus de diferença no meu ângulo de ataque fizeram realmente toda a diferença. Os bambus caíram no mesmo instante que a minha ignorância.
Esse velho indiano, cujo nome eu nunca cheguei a saber, me fez compreender uma das mais belas lições da vida: mudando ligeiramente o ângulo ou a perspectiva ao nos aproximarmos de um problema, a vida deixa de ser um obstáculo invencível em que tropeçamos incansavelmente.
Depois desse encontro anódino, eu tento sistematicamente revisar meu julgamento e apreciar a vida sob um outro ângulo, sobretudo quanto tenho a impressão de dar de cara com um muro. Desde então eu aprendi que quando um muro aparece no meu caminho, cabe a mim desenhar nele uma porta.
Keveen Gabet Copyleft 2010
Keveen Gabet Copyleft 2010