Não é só o estupro que destrói o corpo da menina. Acontece também quando ela tem doze anos, menstruada aos onze e de sutiã 44 aos treze. Acontece então também quando ela tem doze anos e sai sozinha na rua pela primeira vez e para sozinha no sinal pela primeira vez. Num sinal que nunca fecha, numa curva, onde às vezes não atravessa ninguém. Acontece então quando ela tem doze anos e três entre quatro carros que passam buzinam e gritam coisas que ela não entende. Quando a olham diferente porque ela tem peitos e tem cintura e raspa os pelos. Acontece quando ela passa as tardes comendo batata frita e bebendo refrigerante pra não ter mais cintura. Quando ela se veste com roupas largas de garoto pra não ter mais peito. Acontece então quando ela quer finalmente mudar essas roupas e agora ninguém olha e nem buzina e nem grita e nem nada porque ela é gorda. E depois que ela fizer dietas, botar uma blusa decotada e disserem que ela é bonita, ela não vai acreditar porque quando ela tinha doze anos três entre quatro carros buzinaram e gritaram alguma coisa pra ela, quando ela tinha doze anos e não pensava em ser bonita e nem era bonita de buzina de carro.
Oi, Akemi.
ResponderExcluirÉ impressionante como certas experiências na transição de infância para adolescência podem marcar uma menina, sobretudo no que diz respeito às transformações do corpo. Acho que muitas mulheres conseguem lembrar de ao menos um momento em que se sentiram constrangidas diante de olhares ou comentários masculinos. O problema é que quando isso acontece muito cedo, algumas meninas se fecham em si mesmas com vergonha do próprio corpo. Entretanto, tenho percebido que existem outras que despertam para um comportamento bastante sexualizdo para a idade que têm. Existe sofrimento de um lado e de outro. Nenhuma menina de doze anos deveria ter que ouvir cantadas de adultos ou se sentir desconfortável por estar andando pela rua de shortinho e camiseta. Fico me perguntando se as atitudes masculinas que vemos no Rio de Janeiro também estão presentes em outras culturas. Falo de coçar o saco, virar para olhar para as bundas de mulheres na rua e de buzinar para meninas que atravessam as ruas. Não estou me lembrando de outras no momento. O que você tem observado por aí?
Beijos,
Mariana
Tenho observado que mesmo que os italianos tenham fama de mulherengos, brasileiro é bem pior...
ResponderExcluirO problema não é ser mulherengo, o problema é ser vulgar, asqueroso, promíscuo ...
ResponderExcluirbjka,
mamma