Ainda se fosse feia... Mas era bonita. Olhos verdes e tudo o mais. Fumava pelo bem da pose, um atrás do outro. Em público, no início, com vinho em copo de plástico, e depois até sozinha, com o rímel nas bochechas, logo depois de acordar, com café puro. Às vezes colocava um arco no cabelo, e fumava. O arco e o cigarro eram a combinação perfeita, ela tinha certeza. Tudo junto, porque tudo junto era complicado, era uma pergunta na beira do precipício. Ela pensava que todos eles morriam por uma pergunta na beira do precipício. Ela se punha perto dos que tinham um violão, dos que cantavam músicas antigas, dos que falavam de filmes antigos e de livros do underground. Falava por citação e tudo era lindíssimo. Dançava com o pescoço inclinado para trás, os olhos à metade fechados, fechados o suficiente para lembrar as letras, abertos o suficiente para ver quem a via. Desses chegava mais perto, tocava o braço, a culpa é da cerveja, a música é tão boa, não é? Belíssima. Então com esses cantava inclinando o pescoço para frente. Inclinava o pescoço para frente a todos os que via que a viam. Pensava pode ser esse, mas esse nunca era.
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