sábado, 29 de dezembro de 2012

Livros de colorir

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Eu fui uma criança com lindos livros de colorir e bons lápis de cor. Para minha mãe, eram objetos de preservação: eu pintaria apenas as cópias das páginas, com lápis vagabundos. Aqueles lápis caros, em caixas lindas, presentes de gente que vinha do estrangeiro, tinham sido feitos para o sono eterno. Jazem aqui nesta gaveta lápis de cor holandeses, japoneses, franceses. Os livros e os bons lápis seriam conservados para um futuro misterioso, para um cuidadoso que um dia surgisse e não deixasse os lápis caírem e quebrarem por dentro. Um artista sobretudo respeitador das bordas dos desenhos. A única cor que há hoje nos originais é um amarelado antigo e triste, o sinal de que nunca nenhuma criança passou por ali. Os livros de colorir fornecem a didática dos limites, ensinam as fronteiras. Quando não há mais borrões para fora, é o final. Significa que o ensinamento se completou. Aprendeu-se a respeitar os limites. Uma mão que aprendeu a não borrar não borrará nunca mais. Essa é toda a tristeza dos livros de colorir: ninguém entendeu que seu verdadeiro ensinamento é o borrão.

3 comentários:

  1. Tadinha da minha filhotinha. Sou uma péssima mãe. A única coisa boa que devo ter é o meu amor por você.
    bjkas, mammy

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  2. Talvez a coisa fique bonita quando a gente aprenda a pintar pra fora das linhas por vontade, e não por acidente... =)

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  3. Talvez a coisa fique bonita quando a gente aprenda a pintar pra fora das linhas por vontade, e não por acidente... =)

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