Esta manhã meu computador me ofereceu um upgrade do Windows Live Messenger e por conta disso comecei a pensar nos nossos hábitos. Nas acomodações. Uso o MSN há tanto tempo que nem me lembro. Ao longo das atualizações e das melhoras, com algumas eu me empolguei, lembro de ter ficado toda eufórica quando pudemos colocar fotos de perfil! Já diante de outras, fiquei meio lesada, tipo um velhinho com um iPhone, que olha apatetado praquilo, sonhando de rabo de olho com aquele telefone de disco redondo. Todas as vezes, é claro, eu acabei me acostumando com a nova cara do MSN e esquecendo, aos poucos, o velho modelo (provavelmente para nunca mais lembrar com detalhes, já que o computador não armazena versões antigas dos programas como nossas gavetas podem conservar nossas relíquias nostálgicas).
“No início parece estranho, mas depois a gente se acostuma”
Hoje, confesso que demorei mais do que das outras vezes pra sacar como funciona esse novo Windows Live Messenger 2011. Estou na dúvida se é porque estou ficando mais velha e perdendo a sagacidade (ai minha hérnia) ou se é porque realmente o negócio ficou esquisito. Ãhn? Cuma?
Tenho certeza de que vou me habituar. Algumas horas depois, já estou até achando simpático. Mas isso é o MSN…
“É preciso saber mudar, romper com velhos hábitos! Para uma vida melhor!”.
Cena final de “Procurando Nemo”
Romper com velhos hábitos é bom? Talvez romper com velhos hábitos ruins seja bom, como… sei lá, fumar, comer porcaria, ver muita televisão, não fazer atividade física, reclamar da vida o tempo todo, ter pensamentos negativos, não usar protetor solar… E aí, OPA! De repente acordamos para a vida, lemos um passo-a-passo de 100 coisas que podemos fazer para melhorá-la e vamos em frente. Largamos os velhos hábitos! Xô cigarro, xô Batata Ruffles, xô Faustão! Olá alface, barrinha de cereal, pão integral, sucos naturais, clássicos da literatura, academia 3 vezes por semana, lindos sorrisos e muito Sundown! No início pode parecer estranho, mas a gente acaba se acostumando…
Me assentei, estou acomodada em hábitos exemplares. Hum. E agora?
Atingir a perfeição deve ser a coisa mais enfadonha da vida. Não haveria nada para mudar… Daí que o próprio padrão do bom e do perfeito muda todo dia, por isso os sonhos devem ser energias renováveis, pra que não fiquemos chateados. 
Dostoiévski, em Memórias do Subsolo, atesta que “o principal não está em saber para onde se dirige, mas simplesmente em que se dirija […] o homem é uma criatura volúvel e pouco atraente e, talvez, a exemplo do enxadrista, ame apenas o processo de atingir o objetivo, e não o próprio objetivo” (ler Em defesa dos contos de fadas)
Meu pai diz que podemos fazer o que quisermos, desde que não haja excessos. Ele segue a filosofia oriental do equilíbrio. Equilíbrio, de acordo com o dicionário, é a posição estável de um corpo, sem oscilações ou desvios. Eu prefiro a filosofia do equilibrar-se, do exercício do equilíbrio, que consiste na tentativa, no esforço constante de balançar na corda bamba e não cair. A expressão “estar em cima do muro” é pejorativa, mas o que está em cima do muro está, visualmente, tentando se equilibrar, como o ovo Humpty Dumpty (Alice no País do Espelho).
“Humpty Dumpty estava sentado de pernas cruzadas, como um turco, bem em cima de um muro tão estreito que Alice ficou imaginando como ele conseguia se equilibrar […] a cada momento esperava que ele caísse”
O equilibrar-se fica na sugestão, na dúvida, no perigo. Manter-se em equilíbrio é procurar a estabilidade, constantemente. Mas procurá-la, só, porque ela em si é muito chata. É claro que sabemos (desconfiamos enfaticamente) quais escolhas são boas e quais são ruins, e então teoricamente deveríamos abraçar o bom e mostrar a língua para o ruim. Mas… ai que chato. Calmaria não excita conversas nem minimamente interessantes no bar, mas basta um probleminha a ser resolvido que todos se ajeitam melhor na cadeira e tomam mais um gole, se preparando melhor para o debate.
O pior serve para que possamos chegar ao melhor. Se o que amamos nesta frase é, na verdade, o chegar e não o melhor, então o pior é o melhor dos nossos companheiros de viagem pela vida. O fruto do meu vizinho parece sempre melhor do que o meu, e isso, apesar de nos deixar meio pra baixo, nos incita a melhorar. Por outro lado, o pior também serve para vermos que não somos tão ruins assim, aumentar nossa autoestima e continuar a caminhar. Por exemplo, o Brasil definitivamente está cheio de ervas daninhas, mas a Líbia… esta não é flor que se cheire!