segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bolonha § Bologna

 

“Bologna grows on you” ~Teo Green


20120914_112608Bolonha é uma cidade que te pára no meio da rua. Em Bolonha não se caminha em linha reta, com um único pensamento tranquilo desde o quarto até a destinação final, sem que algo te atropele com barulho e violência; violência feia ou bonita. Alguns passos fora de casa e poft, já tá escorregando em caca de cachorro. Mais alguns passos e... mas muita atenção ao dar esses passos, por favor! Não tropece nos punkabbestia, nos mendigos. Atenção às garrafas quebradas de cerveja, aos rabos dos cachorros, esteja atento! É a cidade dos cachorros, Bologna; dos cachorros abandonados adotados pelas pessoas abandonadas. “Temos fome, ajuda”, dizem os papelões.

Passos dados, nenhum rabo ferido, começa a ouvir uma música. Coisa boa na Piazza Maggiore. Jovens que se metem juntos pra fazer um dinheirinho dentro de um chapeu. Pensa que se soubesse tocar faria o mesmo. Que desgraça não saber nem segurar um violão. Sorri, lhes dá uma moedinha, agradece pela alegria, continua. Lá pela metade da Piazza te encontram os vendedores de livros de fábulas africanas. Você não sabe muito bem o que fazer, não é que as fábulas africanas te interessem assim tanto e além disso você já comprou um desses livros outro dia. Bate um papinho, diz não, obrigada, segue adiante. Vai fazer o aperitivo (evitar a Via Del Pratello!). Senta, e antes que te tragam o Spritz, te chegam os paquistaneses. Um atrás do outro, com flores murchas, chaveiros de plástico, coisinhas de todo gênero pra fazer luz de maneiras mil. Insistem, te tocam, ficam ali perto de você por alguns segundos de agonia. No início você diz não, obrigada querendo de todo o coração dizer sinto muito. Depois de um tempo diz não, obrigada querendo gridar não enche a porra do saco!

Termina de comer, dá uma volta na Via Zamboni, das sombras te sai uma voz... da escuridão te faz a oferta... “Bicicleta?”. Imediatamente te vem a angústia. Nem bem ontem te surrupiaram a tua bicicleta. Talvez seja exatamente a tua que agora querem te vender. Dá uma olhada. Não é a tua. Mas é a de uma outra pessoa. O cara te olha. Você olha o cara. Segundos horrendos se passam entre você e ele até que você finalmente diz: “STRONZO!”. Grita como nunca havia gritado antes, mas você se sente tão impotente por saber gritar só isso. Você é uma menina ridícula. “FILHO DA PUTA!”. Agora é uma estranheira ridícula. Mas o filho da puta já foi embora e todos te olham. Paciência. Eh, é preciso ter paciência, você desde ontem está a pé.

Chega ali onde vêm dar Via Zamboni, San Vitale e Strada Maggiore, em frente às Duas Torres. Eis-te quase atropelada por carros, vespas e bicicletas. Mas sobrevive. Volta à Piazza Maggiore, ali estão os paquistaneses fazendo voar luzinhas azuis pelos ares. É linda a Piazza Maggiore. “A piazza mais linda do mundo”, te disse um dia uma amiga numa época em que você ainda não podia entender. Agora preenche essa piazza de lembranças e a olha dizendo você também que está na piazza mais linda do mundo. Sem bicicleta, sem moedinhas, com caca de cachorro no sapato, mas com uma bela de uma janta na pança, com bons amigos no peito e com as chaves do apartamento no bolso. Esta é a minha casa. E eu gosto dela.

(Pelo menos até que cheguem os três metros de neve)


Bologna è una città che ti ferma per strada. A Bologna non si cammina mai sempre dritto, con un solo pensiero sereno dalla camera alla destinazione finale, senza che qualcosa ti si schiaffi addosso con rumore e con violenza, sia brutta che bella. Alcuni passi fuori casa e poof, ecco che scivoli sulla cacca di cane. Ancora alcuni passi e... ma attenzione bene a questi passi, mi raccomando! Non inciampare sui punkabbestia, sui senzatetto. Attento alle bottiglie rotte di birra, alle code dei cani, attento! È la città dei cani, Bologna; dei cani abbandonati che vengono adottati da persone abbandonate. “Abbiamo fame. Aiuto”, dicono i cartoni.

Passi fatti, nessuna coda ferita, cominci a sentire la musica. Roba buona in Piazza Maggiore. Ragazzi che si mettono assieme e si fanno i loro soldini dentro un cappello. Pensi che se sapessi suonare lo faresti pure tu. Che sfortuna non riuscire neanche a tenere una chitarra in mano! Gli sorridi, gli dai una monetina, li ringrazi per l’allegria, continui. A metà Piazza ti vengono incontro i venditori di libri di favole africane. Non sai bene cosa fare, non è che le favole africane ti interessino così tanto e ne hai già comprato uno l’altra volta, di libri. Chiacchieri un po’, dici no, grazie, vai avanti. Vai a fare l’aperitivo (mi raccomando, evitare Via Del Pratello). Ti siedi, e prima che ti servano lo Spritz, ti arrivano i Pakistani. Uno dopo l’altro, con fiori appassiti, portachiavi di plastica, cosine di tutti i generi per fare luce in maniere diverse. Insistono, ti toccano, rimangono lì vicino a te per qualche secondo di agonia. All’inizio dici no, grazie volendo dire con tutto il cuore mi dispiace. Dopo un po’ dici no, grazie volendo invece gridare non farmi girare le palle!

Finisci di mangiare, fai un giro in Via Zamboni, dall’ombra esce fuori una voce... dal buio ti fa un’offerta... “Bici?” Subito ti viene l’ansia. Appena ieri ti hanno fregato la tua bici. Forse è proprio la tua che ora ti vogliono vendere. Dai un’ occhiatina. Non é la tua. Ma è quella di qualcun altro. Il tizio ti guarda. Tu lo guardi. Orrendi secondi passano fra tu e lui finché finalmente tu dici: “STRONZO!”. Gridi come non avevi mai gridato nella vita, ma ti senti così impotente di aver saputo gridare solo quello. Sei una bambina ridicola. “FILHO DA PUTA!”. Adesso sei una straniera ridicola. Ma lo stronzo è già partito mentre tutti ti guardano. Pazienza. Eh, ci vuole pazienza, ormai sei a piedi.

Arrivi lì dove si incrociano Via Zamboni, San Vitale e Strada Maggiore, davanti alle Due Torri. Eccoti quasi ammazzata da macchine, vespe e biciclette. Ma ce la fai. Torni in Piazza Maggiore, ci sono i pakistani che fanno volare delle luci azzurre nell’aria. È bella Piazza Maggiore. “La più bella piazza del mondo”, ti ha detto un’amica tempo fa, quando ancora non lo potevi capire. Ora la riempi di bei ricordi e la guardi dicendo pure tu che sei nella più bella piazza del mondo. Senza bici, senza monete, con cacca di cane sulle scarpe, ma con buon cibo nella pancia, con buoni amici nel cuore e con le chiavi dell’appartamento in tasca. Questa è casa mia. E le voglio bene.

(Finché non arriveranno tre metri di neve).

Grazie mille ad Arianna per l’aiuto grammaticale!

Um comentário:

  1. Strasbourg era melhor, com certeza. Não houve sustos, não roubaram a Rosie, não roubaram o celular....
    Boa sorte, é o que tenho a desejar.
    beijão

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